
Exposição
Como seria viver á frente de um rio, com vegetação abundante, águas limpas e cheio de vida?
A água limpa sempre desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento das cidades, mas muitos rios urbanos foram degradados pela urbanização não sustentável. Com o tempo, diversos cursos de água foram poluídos, retificados, canalizados e, em alguns casos, cobertos por vias públicas, tornando-se esgotos a céu aberto e desaparecendo da paisagem urbana. Perderam assim não só a qualidade ambiental, mas desapareceram da paisagem urbana.
A renaturalização dos rios, apesar de ser um processo limitado, é essencial para prevenir enchentes, reduzir a pressão sobre o uso do solo e mitigar os impactos das mudanças climáticas. Além disso, pode melhorar significativamente a qualidade ambiental e a estrutura urbana, promovendo um ambiente mais diversificado e equilibrado. Mesmo pequenas intervenções podem trazer benefícios, como a redução do risco de inundação e a melhoria das condições de salubridade. A cooperação com as comunidades locais e grupos de interesse é crucial para garantir que as diversas demandas sobre os cursos de água sejam atendidas. A renaturalização dos rios pode também impulsionar o desenvolvimento urbano sustentável, tornando as cidades mais atrativas, agradáveis e propícias ao convívio social, contribuindo para a revitalização e a melhoria geral da qualidade de vida.
Melhor entender as próprias dinâmicas e os desafios impostos aos rios sob impacto da urbanização é um dos objetivos centrais da rede RUN | Ciência cidadã e cocriação como meios de regeneração de rios e minimização de riscos. A rede RUN, financiada no âmbito do Programa Iberoamericano de Ciencia y Tecnología para el Desarollo - CYTED, tem por ambição desenvolver uma plataforma para a produção e transferência de conhecimento e tecnologias na recuperação dos patrimónios fluviais e naturais, cujas soluções assentem numa perspetiva de ciência cidadã e processos participativos. Ao envolver 15 parceiros Ibero-Americanos a rede RUN esta construindo um vasto arsenal de conhecimento na busca de soluções e alternativas que possam tornar os rios urbanos locais mais agradáveis e convidativos além da redução de riscos. A rede RUN está a desenvolver um sistemas de indicadores para medição de riscos e vulnerabilidades, para propor políticas e ações adequadas, com o envolvimento da comunidade no processo de recuperação dos rios urbanos.
RUN insere-se num campo fortemente multidisciplinar ao conjugar várias disciplinas como hidrologia, urbanismo, planeamento ambiental, geografia urbana, ciências sociais e humanas, informática, etc., cruzando conhecimentos científicos com os saberes das populações ribeirinhas. Este é o marco diferencial da rede RUN, cujos núcleos estão assentes em investigadores munidos de robusto racional científico e competências técnicas adquiridas em projetos nacionais e internacionais. RUN, aliado a melhorar os conhecimentos para a redução de risco e vulnerabilidade no contexto de rios urbanos, abre a oportunidade de participação da comunidade académica e científica ibero-americana na pesquisa e debate sobre os impactos da urbanização nas políticas de desenvolvimento mais sustentáveis, aspeto determinante na construção de sociedades socialmente justas e competitivas economicamente.
Cada núcleo de investigação traz casos paradigmáticos, e/ou propõe procedimentos e instrumentos de leitura e interpretação do território urbano, em particular metodologias geolocativas. Os casos, centrais na RUN, são ricos em termos de diferentes fases, dissemelhanças contextuais e geopolíticas, experiências no desenvolvimento e aplicação técnico-metodológica, etc. Aspetos que asseguram os objetivos antes descritos.
Cada núcleo contribui para alargar as experiências também no uso de metodologias que englobam aquelas de natureza quantitativa (ex. construção de bases de dados suportadas por indicadores económicos, sociais, ambientais e urbanísticos que demonstrem os riscos e a vulnerabilidade das populações ribeirinhas), bem como as de natureza qualitativa (ex. o mapeamento de experiências e projetos, de políticas e estratégias governamentais e/ou relacionadas com agentes transnacionais ou movimentos sociais, levantamento de fontes primárias e secundárias para referendar aspetos das memórias e processos compartilhados de leitura de práticas sócio-espaciais em território urbano). Os recursos digitais e a sua ubiquidade no tecido social são essenciais para a inovação nos processos participativos e na transferência e disseminação de conhecimento.










Curadoria:
LUCIANA SOUZA BRAGANÇA – Brasil - Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Arquitetura.
MARCELA SILVIANO BRANDÃO - Brasil - Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Arquitetura.
MONTSERRAT PALLARES-BARBERA – España - Universitat Autònoma de Barcelona. Departamento de Geografia.
ANTONI MAS-PONCE – España - Universitat Autònoma de Barcelona.
SÒNIA SÀNCHEZ MATEO – España - Universitat Autònoma de Barcelona.
Expografia e montagem:
Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Arquitetura. Programa de Extensão Natureza Política.
LUCIANA SOUZA BRAGANÇA - Coordenação
ALANA COSTA DE OLIVEIRA - ANDRIEL FELIPE DIAS - ANTÔNIO PRADO LIBÂNIO - GABRIELA DE BARROS GROSSI -
JADE ALVARENGA DALFIOR - PEDRO TRIANI MATOS DE FREITAS - THAÍS SOARES DA SILVA - VIRGÍLIO MUNIZ DE MAGALHÃES